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Apnéia da prematuridade
Equipe Editorial Bibliomed
Neste artigo:
- Introdução -
Exame
do Paciente - Exames
Complementares - Tratamento -
Conclusão -
Referências
Bibliográficas
"O feto apresenta movimentos respiratórios
intermitentes desde o princípio da gravidez, ainda que o
propósito deste fenômeno seja desconhecido. O mecanismo que
causa a transição da respiração fetal intermitente para a
respiração contínua no período neonatal também é desconhecido.
Todos os bebês prematuros – assim como a maioria daqueles
nascidos a termo – apresentam apnéia, definida como pausas no
seu padrão respiratório. Na maioria dos casos, esta apnéia é
breve o bastante para não causar repercussões
fisiológicas".
Introdução
A Apnéia da Prematuridade (ADP) é o problema
mais comum em bebês prematuros. Estima-se que 25% dos bebês
nascidos vivos com peso inferior a 2.500 g e 84% daqueles com
peso inferior a 1.500 g apresentam episódios de apnéia
necessitando intervenção farmacológica e/ou suporte
ventilatório. Acredita-se que a fisiopatologia do distúrbio
esteja relacionada à imaturidade do tronco cerebral.
Para melhor compreender a ADP é necessário
tomar conhecimento de alguns conceitos e definições
importantes.
A Apnéia Patológica é definida como um
período de apnéia superior a 20 segundos ou inferior a 0
segundos porém acompanhado de bradicardia (ritmo cardíaco <
30 batimentos por minuto) e/ou saturação de oxigênio < 85%
por mais de 5 segundos. Estas alterações raramente ocorrem em
bebês prematuros com mais de 36 semanas de gestação.
A apnéia pode ser classificada como central,
obstrutiva ou mista. A Apnéia Central é definida como a
interrupção do fluxo aéreo e do esforço respiratório, e
responde por 10-25% dos casos de ADP. A Apnéia Obstrutiva
(10-20% dos casos) consiste na interrupção do fluxo aéreo
associado à persistência do esforço respiratório. Finalmente,
a Apnéia Mista se refere a uma combinação dos dois
tipos acima e corresponde a 50-75% de todos os pacientes com
ADP.
A Apnéia da Infância (ADI) consiste na
presença de apnéia patológica persistente em um neonato com
mais de 37 semanas de gestação. A ADI compartilha várias
características fisiopatológicas com a ADP, mas ainda serão
necessários estudos mais detalhados para determinar a exata
natureza desta relação.
A Respiração Periódica é definida como
períodos de respiração regular com duração de 20 segundos
seguido por períodos de apnéia inferiores a 10 segundos,
ocorrendo em pelo menos 3 vezes consecutivas. Este padrão
respiratório responde por cerca de 2-6% da ventilação de
neonatos a termo saudáveis, mas pode equivaler até a 25% do
padrão ventilatório em bebês prematuros e sua ocorrência é
diretamente proporcional ao grau de prematuridade. A
respiração periódica é mais freqüente durante o sono ativo,
mas pode ocorrer em outras situações. Este distúrbio possui
prognóstico excelente e, via de regra, nenhum tratamento é
necessário.
Exame do Paciente
O decréscimo na PO2 em neonatos a
termo com apnéia é diretamente proporcional à duração da
apnéia, e tende a ser mais significativa em pacientes com
apnéia obstrutiva.
Todas as formas de ADP são difíceis de serem
detectadas visualmente, ainda que a apnéia obstrutiva seja
mais óbvia para olhos treinados. Ainda assim, diversos estudos
mostram que mesmo profissionais experientes não detectam mais
de 50% dos casos de ADP.
O exame físico deve incluir observação do
padrão respiratório durante a vigília e o sono, procurando-se
por sinais de dispnéia, dessaturação ou bradicardia (esta
ultima costuma iniciar-se 1,5-2 segundos após o inicio da
apnéia). Episódios de apnéia associados a bradicardia
caracterizam-se por um decréscimo de 30% no ritmo cardíaco
basal. Esta bradicardia reflexa é secundária à estimulação dos
quimiorreceptores à hipóxia ou por um efeito direto da hipóxia
sobre o coração.
O status cardíaco, neurológico e
respiratório do bebê também deve ser registrado.
Exames Complementares
Havendo suspeita de infecção bacteriana,
recomenda-se realizar hemograma e cultura de sangue, urina e
líquor. Dosagens de glicose, eletrólitos, amônia, aminoácidos
e outros ácidos orgânicos são úteis em pacientes com suspeita
de distúrbios metabólicos ou hipoventilação crônica.
A avaliação das vias aéreas superiores,
incluindo radiografia cervical lateral e avaliação
otorrinolaringológica, está indicada nas crianças com estridor
laríngeo persistente ou recorrente, bem como em casos de
apnéia obstrutiva de etiologia inexplicada. A radiografia de
tórax pode ser empregada para elucidar sintomas relacionados
às vias aéreas inferiores.
Estudos de imagem do crânio podem ser
necessários nos pacientes com suspeita de hemorragia
intracraniana ou quando as manifestações clínicas incluem
alterações neurológicas e/ou do status mental.
Outros exames, tais como estudo baritado do
trato gastrintestinal superior, avaliação do esvaziamento
gástrico, ultrassonografia abdominal, análise do pH
intra-esofagiano, eletroencefalograma, ecocardiograma e
eletrocardiograma, devem ser solicitados de acordo com a
possibilidade de distúrbios concomitantes.
Tratamento
A estimulação tátil em geral é suficiente
para interromper uma crise de apnéia. É válido elevar
gentilmente a mandíbula da criança durante a manobra – um modo
profilático de evitar obstrução das vias aéreas superiores. A
oxigenioterapia ou ventilação por máscara está indicada nas
crianças com sinais de bradicardia ou dessaturação. Bebês com
mais de 6-10 episódios de apnéia por dia, aquelas refratárias
à estimulação tátil e/ou à oxigenioterapia devem receber
medidas terapêuticas adicionais.
A administração de metilxantinas é
útil para reduzir a incidência das crises em crianças com ADP
central, mas 15-20% dos pacientes são refratários a esta
medida. As metilxantinas parecem atuar estimulando a contração
muscular esquelética e do diafragma, além de aumentar a
sensibilidade do centro respiratório ao dióxido de carbono. As
principais contra-indicações incluem hipersensibilidade ao
fármaco, arritmias fora de controle, úlcera péptica,
hipertireoidismo e distúrbios convulsivos sem tratamento.
O CPAP pode ser empregado no
tratamento da ADP e está indicado nos pacientes refratários ao
uso de metilxantinas. O CPAP pode ser administrado via sonda
ou máscara nasal ou facial. Apesar de ser eficaz em pacientes
com ADP obstrutiva e mista, o CPAP não é muito útil nos casos
de ADP central.
O doxapram é um fármaco que estimula a
respiração via ativação de quimiorreceptores carotidianos e
estimulação de centros medulares. Seu uso deve ser reservado
para os casos refratários ao uso de metilxantinas e CPAP. A
administração de doxapram (0,5-2,5 mg/kg/hora, via endovenosa
por bomba de infusão) está contra-indicada nos pacientes com
hipersensibilidade reconhecida à droga, epilepsia, obstrução
mecânica das vias aéreas, paresia muscular, pneumotórax,
trauma craniano, comprometimento cardiovascular significativo,
hipertensão severa, hemorragia intraventricular e
kernicterus.
Boa parte dos neonatologistas concorda que a
alta deve ocorrer apenas após 2-10 dias de normalização do
padrão respiratório, mas o período mínimo de controle
necessário para alta tem sido motivo de debate há muitos anos.
A monitorização domiciliar com equipamentos
específicos está indicada para os bebês cujos episódios de
apnéia persistem mesmo com o uso de metilxantinas. Uma
observação relevante em relação ao uso destes monitores é a
ocorrência relativamente freqüente de alarmes falsos. Estes
alarmes podem desestimular o uso dos monitores, colocando a
vida do bebê em risco. Na maioria dos casos, os alarmes falsos
podem ser minimizados através da melhor educação / orientação
dos pais para manuseio do equipamento.
A duração média da monitorização domiciliar
para neonatos prematuros é de 6-8 semanas. Apenas em raras
circunstâncias, o infante necessita ser monitorado até após o
1 ano de idade.
Conclusão
A Apnéia da Prematuridade (ADP) é o problema
mais comum em bebês prematuros. A Apnéia Patológica é definida
como um período de apnéia superior a 20 segundos ou inferior
porém acompanhado de bradicardia (ritmo cardíaco < 30
batimentos por minuto) e/ou saturação de oxigênio < 85% por
mais de 5 segundos. Possivelmente, a fisiopatologia do
distúrbio esteja relacionada à imaturidade do tronco cerebral.
O diagnóstico é essencialmente clínico. O tratamento inclui
diversas medidas, desde a simples estimulação tátil até o
emprego de fármacos (p.ex.: metilxantinas e doxapram) e CPAP.
O prognóstico é favorável na maioria dos casos.
PALAVRAS-CHAVE: apnéia patológica, apnéia
central, apnéia obstrutiva, apnéia da infância, morte súbita
na infância, prematuridade, angústia respiratória,
SAR.
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de fevereiro de
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