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Imunização de Profissionais de saúde
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Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- Introdução -
Viroses
Comuns - Doenças
Bacterianas - Outras
doenças evitáveis com vacinas - Conclusão -
Referências
Bibliográficas
"Os protocolos de imunização são capazes de
reduzir substancialmente o número de profissionais suscetíveis
nos locais de atendimento e o risco de transmissão de várias
doenças para outros profissionais e pacientes".
Introdução
Devido ao contato com pacientes e materiais
infectados, muitos profissionais da área de saúde (PAS)
(p.ex.: médicos, enfermeiros, dentistas, estudantes, técnicos
de laboratórios, voluntários e funcionários administrativos)
apresentam um risco maior de exposição e possível transmissão
de doenças, muitas delas evitáveis através de vacinação
adequada. Por isso, a manutenção da imunidade é uma parte
essencial dos programas e controle e prevenção de infecção
para PAS. Todo estabelecimento de saúde deve encorajar seus
funcionários a seguir uma política sistemática de
imunização.
Viroses
comuns
Dentre as doenças virais evitáveis com
vacinas e de alta incidência no meio, destacamos Hepatites
virais, Influenza, Sarampo, Caxumba, Rubéola e
Varicela.
Hepatite A
A exposição ocupacional não aumenta o risco
de infecção pelo vírus da hepatite A (VHA) em PAS. A
transmissão nosocomial do VHA raramente ocorre quando as
práticas de controle de infecção são obedecidas. O risco maior
de transmissão envolve PAS que estejam cuidando de pacientes
adultos com incontinência fecal, mas, felizmente, a maioria
dos pacientes com hepatite A são hospitalizados após o início
da fase ictérica, quando então já não se encontram mais no
pico de infectividade.
Existem duas medidas profiláticas para evitar
a infecção pelo VHA: (a) administração de imunoglobulina e (b)
vacina para hepatite A. A administração de imunoglobulina até
duas semanas após a exposição é capaz de evitar mais de 85%
dos casos de hepatite. As vacinas para hepatite A oferecem
imunidade a longo prazo (3-4 anos de proteção), com 94-100% de
segurança.
Todavia, não se indica profilaxia rotineira
com vacinas ou imunoglobulina. Em seu lugar, deve-se enfatizar
práticas higiências e educação dos PAS em contato com
materiais potencialmente infectantes. Em caso de epidemias
documentadas, pode-se recomendar aplicação de imunoglobulina
(0,02 mL/Kg) intramuscular logo após exposição ao material
contaminado, com reforço após duas semanas.
Hepatite B
Cerca de 5-10% dos PAS infectados pelo vírus
da hepatite B (VHB) desenvolvem a forma crônica da doença.
Pessoas com hepatite B crônica apresentam maior risco de
hepatopatia crônica (incluindo cirrose e carcinoma
hepatocelular primário) e tornam-se potencialmente infectantes
pelo resto de suas vidas. Apenas nos EUA, acredita-se que
cerca de 100-200 trabalhadores morram a cada ano em
decorrência da infecção pelo VHB. O risco de adquirir o VHB
através da exposição ocupacional depende da freqüência da
exposição percutânea e permucosa ao sangue ou líquidos
corporais contendo sangue.
A vacina para hepatite B deve ser sempre
administrada por via intramuscular no deltóide, sendo
recomendada para todos os PAS (estudantes, médicos,
enfermeiros, dentistas, auxiliares, técnicos de laboratório,
etc). Não se indica avaliação sorológica antes da vacinação.
Após a vacinação, recomenda-se realizar dosagem do antígeno de
superfície do VHB (anti-HBs) nos PAS cuja atividade apresenta
risco de contato com sangue ou de lesões com
pérfuro-cortantes. Esta determinação é útil para determinar a
profilaxia mais adequada pós-exposição, no caso de
acidentes.
Os anticorpos anti-VHB tendem a declinar
gradualmente com o tempo, e, após 12 anos, cerca de 60% das
pessoas que apresentaram uma resposta inicial favorável não
possuem mais anticorpos detectáveis. Contudo, vários estudos
em adultos mostraram que, apesar deste declínio, a imunidade
induzida por vacinas continua sendo capaz de evitar a infecção
e instalação da Hepatite B. Assim, rotineiramente, não são
necessárias doses de reforço, tampouco testes sorológicos para
monitorizar as concentrações de anticorpos após término do
esquema de três doses. A avaliação do níveis circulantes de
anticorpos anti-HbsAg é justificada apenas entre PAS em
contato direto com pacientes ou sangue ou que apresentem risco
de lesões com pérfuro-cortantes. Esta avaliação deve ser
realizada 1-2 meses após o término do esquema vacinal.
A profilaxia pós-exposição pode ser realizada
com imunoglobulinas anti-HB (IGHB) e deve ser considerada nas
primeiras 24 horas após qualquer tipo de exposição a sangue e
derivados (contato percutâneo, ocular ou em membrana mucosa).
Estes indivíduos também devem receber o esquema de vacinação
padrão. A eficácia da IGHB quando administrada mais de 7 dias
pós-exposição percutânea ou permucosa é desconhecida.
Hepatite C e outras Hepatites transmitidas
por via parenteral
O vírus da hepatite C (VHC) é o agente
etiológico envolvido na maioria dos casos de hepatite não-A
não-B transmitidos por via parenteral. Anualmente, cerca de
2-4% de todos os casos de infecção pelo VHC decorrem de
exposição ocupacional ao sangue. Cerca de 85% das pessoas que
contraem o VHC se tornam cronicamente infectada; 70% delas
desenvolvem hepatite crônica. O diagnóstico de infecção pelo
VHC é feito através de testes sorológicos e resultados
falso-positivos e falso-negativos não são raros.
O valor da profilaxia com imunoglobulina
pós-exposição é incerto, o mesmo ocorrendo com o uso de
agentes antivirais (p.ex.: alfa-interferon) para evitar
infecção pelo VHC. Não existem vacinas eficazes para prevenir
a infecção pelo VHC.
Influenza
Durante as epidemias comunitárias, os
pacientes hospitalizados desencadeiam a transmissão nosocomial
da doença para outros pacientes e PAS. Felizmente, a vacinação
é capaz de evitar cerca de 60% dos casos entre PAS e deve ser
recomendada durante os surtos de influenza. A imunização para
Influenza está indicada em PAS cuidando de pacientes com alto
risco de complicações secundárias à infecção por influenza,
indivíduos com mais de 65 anos de idade, gestantes a partir do
segundo trimestre de gravides, e pessoas com determinadas
doenças crônicas (p.ex.: cardiopatias, pneumopatias,
nefropatia, hemoglobinopatia ou imunossupressão).
Sarampo, Caxumba e Rubéola
Cerca de 5-13% dos casos de sarampo e caxumba
decorrem de transmissão nosocomial. Apesar da vacinação, cerca
de 10-15% dos adultos jovens permanecem suscetíveis à rubéola
e a transmissão pode ocorrer nas mais diversas situações. A
imunização com vacina tríplice elimina o risco de contágio. A
avaliação sorológica antes da vacinação não é necessária. As
vacinas com vírus vivos apresentam um risco teórico para o
feto e por este motivo recomenda-se que mulheres vacinadas
evitem engravidar nos 30 dias após a imunização de vacinas
monovalentes para sarampo ou caxumba e por 03 meses após
administração de vacina tríplice ou para rubéola. A imunização
para sarampo também não é recomendada para indivíduos
HIV-positivos ou com evidências de imunocomprometimento
significativo.
Varicela
A transmissão nosocomial do vírus varizela
zóster (VVZ) está bem documentada. As fontes incluem
pacientes, PAS e visitantes infectados. Já foram relatados
casos de transmissão pelo ar em indivíduos suscetíveis sem
contato direto com o paciente-fonte. Apesar de todos os
adultos apresentarem risco de infecção pelo VVZ, alguns são
mais suscetíveis, tais como gestantes, prematuros, bebês com
baixo peso para idade gestacional e pessoas
imunocomprometidas. Pessoas que já tiveram catapora podem ser
consideradas imunes.
As estratégias para controlar surtos de
infecção pelo VVZ no ambiente hospitalar incluem: isolamento
dos pacientes-fonte ou suscetíveis, controle do fluxo de ar,
utilização de testes sorológicos rápidos para determinar a
susceptibilidade, e remanejo dos indivíduos suscetíveis para
locais distantes das áreas de manuseio de pacientes.
As vacinas atualmente disponíveis não
oferecem proteção pós-exposicional imediata.
Doenças
Bacterianas
Dentre as doenças bacterianas evitáveis com
vacinas e de alta incidência no meio, destacamos Tubeculose,
doenças meningocócicas e doenças pnemocócicas.
Tuberculose
A vacinação sistemática com o bacilo de
Calmette-Guérin (BCG) confere um certo grau de imunidade para
tuberculose (TB), mas não é 100% confiável. Assim, além da
imunização, a detecção, o isolamento e o tratamento precoce
dos pacientes com TB é fundamental para conter a disseminação
da doença entre PAS. Felizmente, o risco de transmissão de TB
em unidades de saúde é razoavelmentoi baixo quando são
observadas (e cumpridas) as normas para controle de
infecção.
Doenças Meningocócicas
A transmissão nosocomial de Neisseria
meningitidis é incomum. Em raras circunstâncias, o contato
direto com secreções respiratórias de pessoas infectadas pode
resultar em transmissão do meningococo para PAS. O risco de
infecção pode ser reduzido simplesmente empregando-se medidas
para evitar contato com perdigotos.
A profilaxia pós-exposição é recomendada para
PAS que tiveram contato intenso e sem proteção com pacientes
infectados (p.ex.: realizaram intubação, ressuscitação ou
exame da orofaringe). A profilaxia antimicrobiana com
rifampicina capaz de erradicar e prevenir a infecção por
Neisseria meningitidis, mas não é recomendada para
gestantes (a rifampicina mostrou-se teratogênica em testes
laboratoriais com animais). O ciprofloxacin e a ceftriaxona
podem ser utilizados como alternativas confiáveis, quando
necessário.
Apesar de úteis para controlar epidemias de
meninogococos tipo C, as vacinas quadrivalentes de
polissacarídeos não são de muita utilidade na profilaxia
pós-exposição. A vacinação rotineira de PAS não é recomendada.
Profissionais com maior risco de contágio devem receber
profilaxia com rifampicina.
Doenças Pneumococócicas
A imunização para infecção por pneumococos
está indicada em todas as pessoas com mais de 65 anos de
idade. Aquelas entre 2 e 65 anos de idade e que apresentam
determinadas doenças crônicas (p.ex.: insuficiência cardíaca,
cardiomiopatia, doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema,
alcoolismo, diabetes melito, insuficiência hepática crônica,
drepanocitose), foram esplenectomizadas e/ou encontram-se em
imunossupressão também devem ser vacinadas, devido ao maior
risco de doença pneumocócica e suas complicações. Vale lembrar
que a asma não é considerada uma indicação para imunização com
vacinas para pneumococos.
Outras doenças
evitáveis com vacinas
Os PAS não apresentam um risco maior para
difteria, tétano e doença pneumocócica que a população em
geral. Todas as pessoas adultas devem ser imunizadas para
difteria e tétano. Aquelas com mais de 65 anos de idade (ou
indivíduos mais jovens com fatores de risco proeminentes)
devem receber vacina para pneumococo.
Conclusão
Os profissionais da área de saúde apresentam
um risco bastante alto de adquirir certas doenças infecciosas,
tais como hepatite B, tuberculose, influenza, sarampo,
caxumba, rubéola e varicela. Todas estas doenças podem ser
evitadas com vacinas. De acordo com o perfil do trabalho
desempenhado, pode-se recomendar cobertura vacinal adicional
para hepatite A, meningococo e febre tifóide. Todos os adultos
devem ser imunizados para tétano, difteria e
pneumococo.
Referências
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