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© Equipe Editorial Bibliomed
Neste Artigo:
- Introdução -
Incidência
e Epidemiologia - Manejo
das Pacientes de Alto Risco - Diagnóstico -
Estadiamento -
Referências
Bibliográficas
Introdução
O câncer de mama é o câncer mais comumente
diagnosticado em mulheres norte-americanas, sendo a segunda causa de
morte por doença maligna, em mulheres. Os efeitos desse câncer, na
sociedade, no entanto, excedem essa estatística impressionante, já
que essa doença tem importante impacto social, psicológico, cultural
e até mesmo político. Estatísticas recentes mostram que a
mortalidade por câncer de mama decresceu na década de 90, em alguns
países, sendo essa queda menos expressiva em países
subdesenvolvidos. A causa mais provável é a falta de acesso a
programas de detecção precoce e aos serviços de tratamento.
Certos fatores-chave levaram a mudanças no manejo
do câncer de mama e, finalmente, a melhora na taxa de mortalidade.
Eles incluem melhorias nos serviços de rastreamento e diagnóstico
precoce, além de refinamento e inovações nas áreas de cirurgia
oncológica e radioterapia. Outros fatores incluem as novas terapias
endócrinas adjuvantes, as drogas citotóxicas, terapias biológicas e
combinações desses tratamentos. O melhor conhecimento sobre a
biologia molecular e celular do câncer de mama permitiu também o
desenvolvimento de estratégias diagnósticas e terapêuticas com alvos
moleculares, bem como progressos na área de prevenção.
Incidência e
Epidemiologia
Nos EUA, a cada ano, são diagnosticados 217.000
novos casos de câncer de mama, sendo 59.000 casos de doença in situ;
em 2004, ocorreram cerca de 40.000 óbitos por essa doença, naquele
país. O câncer de mama corresponde a 30% dos casos de câncer
diagnosticados e por 16% das mortes por doença maligna, entre as
norte-americanas. Em todo o mundo, o câncer de mama é considerado um
problema de saúde pública, sendo diagnosticados 1 milhão de novos
casos, por ano.
O risco estimado de desenvolvimento do câncer de
mama, ao longo da vida, nos EUA, situa-se em torno de 1 em 8. No
entanto, mais da metade do risco corresponde às mulheres com mais de
60 anos de idade, e o risco estimado não é alcançado antes dos 110
anos de idade. Além disso, o risco varia muito dentro da população,
de forma que a avaliação individual do risco é muito mais útil para
o desenvolvimento de estratégias de manejo clínico.
A incidência do câncer de mama varia
significativamente entre as populações, sendo as maiores taxas
encontradas nas mulheres do mundo ocidental (>100 casos/100.000
mulheres), e as menores entre as asiáticas (10-15/100.000 mulheres).
Entretanto, a incidência aumentou rapidamente entre as mulheres
japonesas, com as mudanças no estilo de vida ocorridas nos últimos
50 anos. Quando as mulheres asiáticas migram para países com alta
incidência, elas vão gradualmente apresentando aumento do risco para
níveis observados no local para onde se mudaram. Vale lembrar que
essa diferença no risco, entre as mulheres asiáticas e ocidentais, é
observada apenas em relação à incidência na pós-menopausa, o que
sugere que fatores genéticos contribuintes para a ocorrência do
câncer de mama em mulheres jovens é semelhante em ambas as
populações, porém a exposição hormonal e os fatores relacionados ao
estilo de vida apresentam papel importante na definição do risco na
pós-menopausa.
Os fatores de risco para o câncer de mama são os
seguintes:
- História familiar
- Mutações genéticas: BRCA-1, BRCA-2, TP53, CHECK2
- Etilismo
- Uso de contraceptivos orais: uso de terapia combinada, por
mais de cinco anos, após a menopausa fisiológica
- Menarca precoce
- Menopausa tardia
- Nuliparidade
- Doenças benignas da mama: hiperplasia ductal com atipia
- Exposição a radiação
Aproximadamente, 5% das mulheres com câncer de mama
apresentam história familiar, que sugere a presença de uma mutação
genética de alta suscetibilidade. Tais genes foram isolados e são
denominados BRCA1 e BRCA2. No entanto, esses genes são responsáveis
por apenas 30% a 40% dos casos que surgem em famílias, como um traço
autossômico dominante, deixando grande parte dos casos sem
explicação. Grandes avanços foram feitos na identificação de alelos
de risco com baixa penetrância, levando à descoberta de uma mutação
em CHECK2, uma cinase implicada no ciclo celular responsável por
reparo do DNA, estando essa mutação associada a um aumento em duas a
três vezes, no risco de câncer de mama.
Manejo
das Pacientes de Alto Risco
Uma vez que o risco da paciente foi estimado,
torna-se uma questão pessoal a determinação do que constitui alto
risco. Para muitas mulheres, um risco relativo de um, com uma
probabilidade ao longo da vida de 1 em 8, já é considerado alto.
Para outras, um risco relativo de dois ou mais seria considerado
alto. Independente disso, nas pacientes em que se julgar um alto
risco de câncer de mama, quatro estratégias podem ser tomadas:
- Acompanhamento mais rigoroso: existe consenso geral de que as
pacientes com alto risco para câncer de mama devam ser submetidas
a estudo mamográfico a cada um a dois anos, a partir dos 40 anos
de idade; em alguns casos, esse acompanhamento pode ser iniciado
mais precocemente. Nessas pacientes, outros métodos de imagem como
a ressonância nuclear magnética, também podem ser considerados.
Embora existam controvérsias sobre o papel do auto-exame da mama,
especialistas recomendam a sua realização mensalmente, pelas
portadoras de mutações BRCA1 e BRCA2.
- Modificação do estilo de vida: perda de peso, ingestão de
dieta pobre em gorduras, cessação do consumo de bebidas
alcoólicas, prática regular de atividade física.
- Quimioprofilaxia: alguns estudos mostraram redução do risco de
câncer de mama com o uso do tamoxifeno, em algumas pacientes, o
que levou alguns especialistas a recomendarem o seu emprego em
pacientes com risco estimado, em 5 anos, igual ou superior a 1,66.
No entanto, ainda são necessários estudos adicionais para melhor
definir o papel do tamoxifeno, nessa situação. Ainda não se sabe
se esse medicamento atua prevenindo a formação do câncer, ou
tratando de maneira eficaz cânceres clinicamente ocultos.
- Mastectomia ou Ooforectomia profiláticas: são medidas bastante
controversas. Os dados atuais mostram que a mastectomia
profilática é eficaz na prevenção do câncer de mama, em pacientes
com história familiar forte de câncer de mama e/ou ovário, ou
portadoras de suscetibilidade genética. Dados adicionais mostram
que a mastectomia contralateral reduz a incidência de câncer, em
pacientes com doença unilateral previamente diagnosticada. Embora
ainda controverso, resultados iniciais mostram que a ooforectomia
bilateral reduz o risco de câncer de mama e de câncer epitelial
ovariano, em pacientes de alto risco.
Diagnóstico
O câncer de mama desenvolve-se mais comumente no
quadrante externo, local onde se concentra a maior parte do tecido
mamário. As massas mamárias são mais frequentemente descobertas pela
paciente e menos comumente pelo médico, durante o exame de rotina. O
emprego cada vez mais amiúde da mamografia de rastreamento expandiu
a capacidade de detecção de anormalidades não-palpáveis. Raramente o
câncer de mama mestastático pode ser encontrado como massa axilar,
sem doença maligna óbvia.
A mamografia e o exame físico, as modalidades
padrão-ouro para rastreamento, são complementares. No passado,
muitos casos de câncer de mama eram diagnosticados como massas
palpáveis. No entanto, de 10% a 50% dos casos detectados na
mamografia não são palpáveis. De maneira semelhante, o exame físico
é capaz de detectar 10% a 20% dos tumores não diagnosticados à
mamografia. O objetivo do rastreamento é a detecção do câncer,
enquanto de pequeno tamanho (<1cm) e com maior potencial de cura.
Muitos estudos mostraram uma redução de 20% a 30% na mortalidade,
para mulheres com idade igual ou superior a 50 anos, submetidas à
mamografia anual. Dados referentes ao rastreamento de mulheres, com
menos de 40 anos, são mais controversos. No entanto, dados mais
recentes mostraram uma redução de 45% na mortalidade de mulheres
submetidas ao rastreamento entre 40 e 49 anos. Assim, recomenda-se
que todas as pacientes sejam submetidas à mamografia, anualmente, a
partir dos 40 anos de idade, além do exame de rotina e o auto-exame
das mamas. Nenhum outro teste é eficaz como método de
rastreamento.
Massas são mais facilmente palpáveis em mulheres
mais idosas, com mamas ricas em tecido adiposo, em comparação às
mulheres mais jovens, que apresentam mamas mais densas,
freqüentemente nodulares. Uma área de espessamento, entremeada a
nodularidade normal, pode ser a única dica para a presença de doença
maligna. Pele enrugada, retração mamilar ou erosão cutânea são
geralmente sinais óbvios, porém encontrados em estádios mais
tardios.
Uma massa mamária dominante deve ser considerada um
possível carcinoma, e a biopsia é essencial para o diagnóstico.
Cerca de 30% a 40% das lesões, consideradas malignas clinicamente,
acabam sendo definidas como benignas ao exame histológico.
Entretanto, 20% a 25% das lesões consideradas benignas são, na
verdade, malignas.
1. Técnicas de Biopsia
Para as pacientes com doença maligna óbvia, é
razoável obter-se uma amostra de biopsia e um corte de congelação
imediatamente antes da mastectomia ou outro tratamento definitivo. É
preferível que a paciente encontre-se envolvida no planejamento de
seu tratamento. A biopsia inicial é preferentemente seguida de
terapia definitiva, em uma abordagem em duas etapas. Isso permite ao
médico discutir com a paciente as formas de tratamento, dando à
mesma a oportunidade de obter uma segunda opinião.
- Aspiração com agulha fina e citologia: apresenta boa acurácia,
com cerca de 10% a 15% de resultados falso-negativos e raros
resultados falso-positivos. Se uma massa parece ser maligna, ao
exame físico e/ou à mamografia, os resultados desse exame são
úteis para a discussão do tratamento com a paciente. Resultados
negativos não excluem o diagnóstico e são frequentemente seguidos
da realização de biopsia excisional ou observação rigorosa. Em
mulheres jovens, é prudente o acompanhamento de massas
aparentemente benignas durante um ou dois ciclos menstruais.
- Biopsia aberta: pode ser realizada quando a biopsia aspirativa
não o for, ou quando os resultados dessa última são negativos ou
controversos. Um diagnóstico inequívoco deve ser obtido antes que
o tratamento para o câncer de mama seja iniciado. O diagnóstico
citológico pode ser mantido, se a massa é clinicamente ou
mamograficamente maligna. Em casos equívocos, uma mastectomia
parcial pode ser realizada, acompanhada de corte de congelação,
antes da realização de dissecção axilar. Uma alternativa à biopsia
aberta é a remoção de uma porção de tecido, por meio de uma agulha
especial (de Vim-Silverman). A biopsia aberta pode ser realizada
em nível ambulatorial.
- Biopsia guiada por mamografia: a biopsia de massas
não-palpáveis é difícil, pois requer uma boa cooperação entre o
radiologista e o cirurgião. O radiologista implanta uma agulha ou
fio especial, no interior do parênquima mamário ou próximo ao
local da anormalidade suspeita. O cirurgião faz uma revisão das
imagens, em conjunto com o radiologista, e localiza a anormalidade
em relação à agulha ou fio. A incisão é feita diretamente sobre a
área, sendo retirada uma pequena porção de parênquima contendo a
alteração. Realiza-se, então, uma mamografia da peça, para se
garantir que a lesão suspeita foi retirada.
- Biopsia estereotáxica: aparelhos de mamografia equipados podem
ser usados para realizar modificações estereotáxicas, que são
úteis para auxiliar na localização das anormalidades e na
realização de biopsia por agulha, sem necessidade de cirurgia.
Guiada por mamografia, uma agulha é inserida na lesão, sendo
retirada uma porção do tecido. A ultra-sonografia também pode ser
empregada, em massas não-palpáveis. É menos invasiva e mais barata
que a biopsia guiada por mamografia.
Estadiamento
Uma vez estabelecido o diagnóstico do câncer de
mama, o médico deve obter rapidamente informações sobre o
estadiamento, necessárias para a tomada de decisões terapêuticas. A
finalização do estadiamento é muito importante, tanto por razões
médicas quanto psicológicas. O objetivo principal do estadiamento é
avaliar se a paciente é potencialmente curável pela cirurgia, com ou
sem radioterapia, ou se ela tem doença avançada, além das
expectativas de cura com tais tratamentos. Se a paciente tem doença
curável, esses dados podem ser usados na predição da história
natural do câncer de mama, bem como na decisão sobre o uso de
terapia sistêmica adjuvante. Além disso, esses parâmetros predizem a
resposta à terapia adjuvante, e servem como marcadores de doença
micrometastática, clinicamente oculta.
Referências
Bibliográficas
1. Abeloff MD, Armitage JO, Niederhuber JE, et al.
Clinical Oncology. 3rd Edition, 2004.
2. Berek JS. Novak’s Gynecology. 13rd Edition,
2002.
3. Robson M, Offit K. Clinical practice. Management
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4. Knutson D, Steiner E. Screening for breast
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5. Hayes DF. Clinical practice. Follow-up of
patients with early breast câncer. New England Journal of Medicine
2007; 356(24):2505-13.
6. Symmans WF. A pathologist's perspective on
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34 (2 Suppl 3):S4-9.
Copyright © 2007 Bibliomed,
Inc.
10 de Agosto de 2007 |