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Depressão pós-parto

Equipe Editorial Bibliomed

Neste artigo:

- Introdução
- Manifestações clínicas
-
Abordagem terapêutica
-
Considerações especiais
-
Conclusão
- Referências bibliográficas

"Cerca de 85% das mulheres apresentam algum tipo de alteração do humor durante o período puerperal. Na maioria dos casos, o distúrbio é leve e transitório, mas até 15% delas podem apresentar alterações incapacitantes e persistentes (p.ex.: depressão ou psicose pós-parto)".

Introdução

Flutuações do humor, irritabilidade e ansiedade são alterações comuns no período puerperal, podendo iniciar nos primeiros 4-5 dias após o parto. Na maioria das mulheres, estas alterações são leves, regridem espontaneamente em 7-14 dias e não chegam a interferir na capacidade da mãe em tomar conta do bebê.

Acredita-se que a fisiopatologia do distúrbio envolva fatores hormonais, psicossociais e biológicos. Os níveis hormonais em mulheres com depressão pós-parto não são muito diferentes daqueles observados em pacientes sadias, e a alteração possivelmente está relacionada à sensibilidade individual às alterações nestes níveis.

Manifestações clínicas

A depressão pós-parto acomete 10-15% das mulheres, especialmente aquelas com antecedentes de depressão. Em geral, a depressão se inicia de forma insidiosa nos primeiros 3 meses após o parto, com adinamia, ansiedade, insônia, fatigabilidade exacerbada, alteração do apetite, tendências suicidas e pensamentos recorrentes de morte. A ansiedade costuma ser predominante, manifestando-se na forma de preocupação obsessiva com a saúde e o bem-estar do bebê. Sentimentos ambíguos ou negativos também são comuns.

A psicose pós-parto é a forma mais grave de distúrbio psiquiátrico puerperal. Felizmente, este distúrbio é raro, ocorrendo em aproximadamente 1-2 mulheres em cada 1.000 parturientes. A psicose possui início dramático, ainda nas primeiras 48-72h pós-parto, e lembra episódios maníacos com sintomas tais como insônia, inquietude, irritabilidade, alucinações, comportamento desorganizado e variações extremas de humor. O risco de infanticídio e/ou suicídio é elevado.

Abordagem terapêutica

primeiro passo é excluir causas orgânicas para a alteração de humor (p.ex.: disfunção tireoidiana, anemia), empregando uma avaliação clínica minuciosa e exames complementares se necessário. A severidade da depressão deve guiar a escolha do tratamento.

Pacientes com depressão pós-parto leve a moderada podem ser tratadas com orientações psico-educacionais ou grupos de apoio, reservando-se as abordagens farmacoterápicas para os casos mais graves ou refratários às medidas conservadoras. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (p.ex.: fluoxetina 10-60mg/dia, sertralina 50-200mg/dia, paroxetina 20-60mg/dia) são as drogas mais utilizadas. Os principais efeitos colaterais incluem insônia, náuseas, hiporexia, cefaléia e redução da libido. Antidepressivos tricíclicos (p.ex.: nortriptilina 50-150mg/dia) ou benzodiazepínicos (p.ex.: lorazepam, clonazepam) podem ser úteis em pacientes com distúrbio do sono.

Com o tratamento adequado e precoce, os sintomas começam a regredir em 2-4 semanas. A remissão completa pode levar vários meses. No primeiro episódio de depressão, o tratamento deve durar 6-12 meses. Casos recorrentes devem ser tratados por períodos ainda maiores. O tratamento inadequado aumenta o risco de morbidade para a mãe e a criança.

A psicose pós-parto é uma emergência psiquiátrica e deve ser tratada com hospitalização na maioria dos casos. Boa parte das pacientes apresenta distúrbio bipolar e o tratamento deve ser feito com estabilizadores do humor (p.ex.: lítio, ácido valpróico, carbamazepina) associados a antipsicóticos e benzodiazepínicos.

Considerações especiais

Mulheres que estejam amamentando deve ser informadas de que todas as medicações antipsicóticas, incluindo os antidepressivos, são secretadas no leite em concentrações variáveis. Contudo, na maioria das pacientes utilizando antidepressivos tricíclicos, fluoxetina, sertralina e paroxetina, os níveis são extremamente baixos e a toxicidade para o bebê é um evento raro.

aleitamento deve ser evitado nas pacientes em uso de ácido valpróico ou carbamazepina devido ao risco de hepatoxicidade para o bebê. O lítio também representa uma contra-indicação relativa ao aleitamento.

Mulheres com risco de depressão pós-parto devem ser corretamente identificadas durante o acompanhamento gestacional. O tratamento profilático pode ser indicado naquelas com antecedente de depressão, psicose ou distúrbio bipolar.

Finalmente, a detecção e o tratamento da depressão pós-parto possui um papel crucial no desenvolvimento futuro da criança e de sua interação com a mãe. Mulheres com depressão são mais propensas a desenvolver uma atitude negativa em relação à criança, rotulando-a como ‘difícil’ ou ‘problemática’.

Conclusão

Os distúrbios psiquiátricos puerperais são alterações relativamente freqüentes, mas podem passar desapercebidos, colocando tanto a mãe quanto o bebê em risco. A depressão pós-parto, quanto não diagnosticada/tratada corretamente, associa-se a problemas cognitivos, emocionais e comportamentais a longo prazo na criança. Felizmente, o tratamento é bem sucedido na maioria dos casos detectados.

Palavras-Chave: depressão, depressão puerperal, psicose, psicose puerperal, suicídio, infanticídio.

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